23.12.01

Fechando a conta. Pois é, se o Lanceiro já estava lento, imaginem agora que estamos entrando na reta final, Natal e festa de ano novo chegando. Some-se a isso o fato muito alardeado mas até hoje não concretizado: a mudança para São Paulo. Até hoje. Porque acabo de me instalar em Sampa.

Muita coisa aconteceu em 2001, mas até aí não é novidade, porque desde 11 de setembro as novidades foram muitas, e para todos. Mas para mim, em particular - vocês hão de me permitir a digressão um tantinho egoísta - foram muitas emoções, como diria mestre Roberto Carlos.

Saí de um emprego, consegui outros trabalhos como tradutor e colunista em revistas digitais, criei dois blogs que me deram muito prazer e muita satisfação. Ontem, para encerrar 2001 com chave de ouro, compareci à cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2001, no Museu da República, Rio de Janeiro. Quem curte ficção científica, fantasia e horror já deve ter ouvido falar: o Argos é considerado o "oscar" da literatura de gênero fantástico no Brasil. Tive a felicidade de ganhar dois prêmios ontem: o 3o. lugar na categoria melhor publicação, pelo meu livro de contos Interface com o Vampiro (Writers, 2000, esgotado), e o 2o. na categoria melhor ficção, pela novela A Vingança da Ampulheta (Editora Ano-Luz, 2000). Foi uma honra que me emocionou muito, até porque eu andava afastado do métier da literatura fantástica há algum tempo, e sinceramente nem esperava que essas histórias tivessem tido a repercussão que - descobri ontem - tiveram entre os leitores do eixo Rio-SP e até de algumas paragens além, como BH e Florianópolis.

Mas não é a maior felicidade que 2001 me proporcionou. Este ano está se encerrando com a realização de um sonho: estou me casando com a mulher da minha vida, depois de trinta e tantos anos de procura e quase dois anos de um namoro muito, mas muito gostoso, que me fez voltar a ser criança, adolescente e me ajudou acima de tudo a superar obstáculos e descobrir o adulto maduro dentro de mim - sem perder o bom humor, claro. Para você, linda, todo o meu amor, aqui, agora e para sempre.

E fecho a conta de 2001 feliz e satisfeito. Cheio de projetos para 2002, e com fôlego para correr atrás da realização deles.

Feliz Natal a todos vocês que me acompanharam até hoje, e boas entradas de ano. Volto em 2002, se Deus assim o permitir - e se eu ainda tiver algo de relevante a ser dito. Forte abraço a todos.

19.12.01


Memória. Acabo de emplacar mais um artigo no caderno Mídias Interativas do Itaú Cultural. O tema desta quinzena é o projeto Tablóide Digital, criado para armazenar na Rede e divulgar toda a produção do jornalista curitibano Aramis Millarch. O artigo, contendo trechos de uma entrevista com o filho dele e organizador do projeto, Francisco Millarch, está aqui. Leiam e prestigiem o Tablóide Digital, vale a pena.


Peguei os meus dois últimos posts, bati, mexi e preparei um artigo para a Web Insider. Taqui. A partir de hoje, vocês encontrarão matérias minhas na Web Insider todas as quartas. Sempre sobre tecnologia e sociedade, e eventualmente sobre livros. Mas vem mais coisa pela frente, aguardem.


18.12.01


Ainda sobre nós e nossa condição. Se o grande barato da Internet é essa geléia geral que nos une a todos, também é verdade que esse grande movimento tem exatamente essa consistência - a de uma geléia. Não há muito de concreto que ele possa oferecer, pelo menos por enquanto.

Não, não se trata de colocar água na fervura de ninguém, nem de chover no piquenique. É apenas uma constatação que eu andava querendo fazer há algum tempo, e o fim do Snorland forneceu um bom motivo para isso.

Pode ser que algum de vocês diga: ah, não seja pessimista, já existem outros sistemas de comentários muito legais, como o Fala Sério - e há pelo menos um membro da lista Blogueiros que desenvolveu um sistema próprio. Isto é ótimo, e a gente tem mais é que aplaudir e compartilhar essas descobertas, porque isto é o bom da coisa.

O ruim é que não somos inteiramente donos da Internet. Ainda corremos o risco de ficarmos sem nossos materiais, como o caso do Desembucha, há alguns meses, provou de forma tão contundente para vários de nossos colegas. Tudo bem que os comments não são grande perda na comunicação (ainda temos os e-mails e o ICQ), mas para nós que tanto nos acostumamos - e merecidamente, pois a comunicação que a Rede nos proporciona não tem nada de supérfluo, é fundamental para as relações pessoais e profissionais nos dias de hoje - além de ser muito triste, constitui um lembrete dos mais desagradáveis: o poder não está só em nossas mãos. Nem dentro da Internet.